Mostrar mensagens com a etiqueta pensamento positivo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pensamento positivo. Mostrar todas as mensagens

domingo, 31 de maio de 2015

Teoria da felicidade versão "última Coca-Cola do deserto"

Um dos grandes defeitos que temos nós, seres humanos imperfeitos e insatisfeitos, é uma imensa incapacidade para reconhecer a felicidade mesmo quando esta nos entra de frente pelos olhos.
No caso particular dos portugueses, seres humanos geneticamente propensos à angústia e à melancolia, pressentimos os primeiros sintomas de felicidade como uma espécie de urticária ou reação alérgica, recorrendo imediatamente aos antídotos que nivelam a ansiedade lusitana para o patamar do “quando-a-esmola-é-grande-o-Santo-desconfia”.
Claro que queremos ser felizes, tanto como todas as outras pessoas, de qualquer nacionalidade em qualquer cantinho do mundo. O problema é que, enquanto para uns basta um samba e uma geladinha, para outros apenas um metro quadrado de chão e uma esteira, nós os seres humanos deste mundo ocidentalizado, colocamos a felicidade num universo paralelo ao real onde os sonhos se confundem com publicidade.
Definimos a felicidade como uma espécie de “última Coca-Cola do deserto”, como se, no cenário hipotético de uma travessia sobre areia escaldante e Sol inclemente fosse provável que o nosso corpo desidratado clamasse por um refrigerante com gelo.
O nosso problema com a felicidade deriva precisamente da sobreposição dos artifícios do marketing às nossas necessidades autênticas. Confundimos sede com “sensação de viver”, ansiamos por uma bebida mágica e não por um golo de água transparente. Suspiramos por uma felicidade efervescente servida com limão - porque, como diz a cultura pop, “se a vida te der limões acrescenta-lhe qualquer coisa que se beba!”-, logo ficamos frustrados se a vida apenas nos oferece uma alternativa simples e barata, servida sem jingle nem Photoshop através de uma banal torneira.
A questão do copo cheio ou meio vazio passa pois para um plano secundário. A raiz da nossa infelicidade, da nossa felicidade assim-assim ou de uma declarada insatisfação permanente, não está na nossa perspectiva otimista ou pessimista sobre a vida, pois começa no momento anterior, aquele em que olhamos para o copo e questionamos “que porcaria de bebida é aquela que está ali dentro?”
Como os adereços que compõem a felicidade são igualmente influenciados pelas tendências, hoje em dia o que esperamos é que o copo tenha uma sidra de sabor improvável, um mojito ou uma vodka com qualquer-coisa. É claro que não avanço para a possibilidade do gin tónico porque aí teríamos um duplo problema: de conteúdo e de forma. A felicidade pressupõe que a vida real se adapte ao figurino, logo é inconcebível que um gin possa ser bom se não for servido em copo largo tipo saladeira.
Não sou hipócrita ao ponto de sugerir que o dinheiro não traz felicidade nem ingénua ao ponto de defender como inquestionável a máxima que apregoa que a felicidade não está nas coisas. Como profissional do marketing seria até pouco ético afirmar que não acredito no poder das marcas ou na força dos produtos.
O que questiono contudo, é esta nossa obsessão materialista pela procura da felicidade na posse, mais até do que no usufruto, na coleção de instantâneos fotográficos, mais do que na recolha de memórias, na encenação de ideais plásticos que colamos à força sobre a nossa trivial existência.
Queremos todos ser felizes, tanto como queremos ser magros ou ricos, confundindo até felicidade com a forma física ou com o plafond do cartão de crédito, como se só fosse possível ser feliz quando se tem corpo de manequim e se vive sem restrições de orçamento.
A felicidade está na satisfação de necessidades, que são tão básicas como comida, afecto e conforto.
É impossível sermos permeáveis às provocações do marketing que nos fazem acreditar que o nosso leque de necessidades é muito mais amplo do que este, tão vasto e complexo que nos coloca numa posição em que somos incapazes de identificar ou quantificar as nossas carências. Como seres racionais dotados de um cérebro esquizofrénico que tanto apela à racionalidade como à fantasia, seremos felizes se conseguirmos distinguir as possibilidades reais dos pressupostos utópicos. Pelo menos, na maior parte do tempo...

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Geração nem-nem

Nem estudam nem trabalham.
Esta é a geração dos jovens que acabam os estudos, que fazem o périplo das respostas a anúncios de emprego e das candidaturas espontâneas, que com sorte até vão a entrevistas, mas que lamentavelmente, por causa da crise, por causa dos outros ou deles próprios, não conseguem ingressar no mercado de trabalho.
São cada vez mais. Muitos milhares. Para lá de 400 mil só em Portugal.
Não contribuem para a estatística de desemprego porque não tiveram ainda o estatuto de "empregado". São uma espécie híbrida, um segmento sem projecto de vida, com poder de compra limitado, um conjunto de pessoas que sendo consumidores por conta de outrem têm um interesse relativo para o marketing.
Quando terminei a licenciatura no remoto ano de 1995 o desemprego não era uma preocupação.
Não eram conhecidos casos de colegas que não conseguissem encontrar emprego ou fazer um estágio, quase sempre remunerado.
Tínhamos todos aspirações, fantasiávamos sobre a vida depois do curso como se ter um "Dr," ou um "Eng," antes do nome fosse um bilhete de acesso VIP ao universo dos poderosos e dos milionários. Tínhamos contudo a noção de que o mais provável era passar um ano a servir cafés aos seniores, a limpar o pó a pastas de arquivo e a tirar fotocópias.
Para a minha geração o primeiro emprego era uma praxe necessária, uma via sacra que tínhamos de fazer nas multinacionais que nos acolhiam, formavam e acrescentavam pontos ao curriculum vitae. Nem sempre o contacto com a vida real era uma alegria mas pelo menos saíamos para trabalhar de blazer e cabeça erguida, tínhamos um canto com cadeira num open space com plantas, luz directa e ar condicionado.
Hoje as oportunidades são mais escassas.
Concordo que ser caixa de supermercado ou vendedor comissionista são posições que não agradam a quem tem conhecimentos de estatística, de direito ou de sistemas sequenciais.
Porém, a vida tal como ela é nem sempre é fácil, justa ou agradável.
Presumo que não há ninguém que não tenha tido um momento na sua carreira profissional em que não se sentiu infeliz, frustrado ou humilhado. Os momentos em retrospectiva são dias inteiros consecutivos, que se acumulam em semanas, meses e anos... A vantagem de ter muitos anos de vida depois do "canudo" é que percebemos que o tempo relativiza todas as memórias.
O tal emprego medíocre que pensamos que duraria uns tempos prolonga-se por alguns Verões sem férias e outros tantos Natais. Esses anos de penitência inglória que tanto nos martirizam quando os vemos "por dentro" são meros segmentos de angústia imerecida quando os vemos "por fora".
A carreira que todos queremos ter raras vezes é uma progressão geométrica ou pelo menos um avançar plano sem acidentes nem percalços. 
Como li por estes dias num livro de Primo Levi ("Se isto é um homem") nunca somos tão felizes como desejamos nem tão infelizes como pressentimos.
Assim sendo, por mais amargas que sejam as perspectivas, é preferível ser a voz monocórdica num Call Center do que uma estatística monótona com nome de nada.


sexta-feira, 28 de março de 2014

A felicidade em 4P's - mais uma receita

Se tudo na vida fosse tão fácil quanto aplicar acrónimos milagrosos às nossas dúvidas existenciais, o mundo estaria repleto de enfadonhas pessoas felizes, monocromáticas nos humores e frouxas em originalidade.
É claro que todos gostávamos que a vida fosse mais fácil, que a viagem fosse mais estável, mas a verdade é que alguns bons momentos nascem dos nossos erros e que muitos maus momentos revelam as verdadeiras amizades.
Demagogia à parte, entre tantas teorias para a felicidade instantânea existe uma que até me parece viável e que por um acaso que não será certamente coincidência assenta em 4 P’s:
PAIXÃO

Como o ser humano aprende à força de tijolos, isto é, vai aprendendo à medida que bate com a cabeça na parede, nada melhor do que a certeza da morte para nos recordar que devemos estar permanentemente apaixonados pela vida.
Presumo que o pior que nos poderá acontecer um dia é a sensação de que a nossa existência terminou e de que não fomos suficientemente bons e honestos, que não estivemos sempre presentes junto dos nossos, que afinal ficamos aquém das expectativas enquanto filhos, pais, amigos, mulheres/maridos...
Provavelmente não será necessário estarmos moribundos para chegarmos a algumas conclusões básicas:

- Passamos o nosso tempo a tentar cumprir as expectativas dos outros e não a fazer o que queremos.
- Dedicamos demasiadas horas úteis ao trabalho.
- Não exteriorizamos sentimentos.
- Perdemos o contacto com os amigos e desvalorizamos a amizade.
- Perdemos muitas oportunidades para sermos felizes.

Para viver ao máximo cada dia não são necessárias grandes aventuras, desportos radicais ou descargas de adrenalina. Basta apenas ter a capacidade para reconhecer a dádiva que é estarmos vivos.
A regra n.º 1 é sermos apaixonados pela vida que temos... Afinal, só temos esta!

PROPÓSITO
Na vida passamos tantas horas a trabalhar como a dormir e nem sempre nos sentimos motivados com que o fazemos. Pode acontecer que não encontremos na carreira profissional o tal propósito que nos eleva, mas isso não nos pode remeter para uma vida estereotipada sem sentido.
Eu encontrei um propósito em muitas actividades paralelas como este blog mas tenho como certo que é possível encontrar sentido em muitas outras coisas, desde que estejamos dispostos a procurá-las.
Infelizmente precisamos tanto de dinheiro como de felicidade pelo que encontrar o equilíbrio certo entre o que nos paga as contas e o que nos dá prazer nem sempre é fácil. Provavelmente o mindset que nos deve guiar é fazer da felicidade um modelo de negócio, algo que devemos incorporar na nossa rotina.

A regra n.º 2, será pois encontrar uma ocupação full-time/part-time que nos dê pica.

PESSOAS
(não concordo que o preto seja uma cor triste, daí a escolha do negro para destacar o tópico)
Vivemos rodeados de pessoas: amigos, família, colegas, clientes, superiores, subordinados, anónimos... Apesar de nem sempre podermos escolher quem gravita na nossa órbita podemos pelo menos seleccionar os que queremos mais próximos, de preferência as pessoas com bom astral, aqueles que nos podem servir como modelo ou exemplo, os que nos fazem sentir bem, os que nos animam e confortam.

A importância das pessoas no nosso bem-estar deriva de uma evidência bem simples: a felicidade é um activo que quanto mais se dá mais se multiplica.
A regra n.º3 preconiza a procura da felicidade através dos outros, no pressuposto de que seremos tão mais felizes quanto mais pessoas felizes tivermos à nossa volta.


PROJECTOS
O nosso maior projecto tem de ser apenas este: "ser feliz!". Todos os outros dependem da conjugação de factores casuísticos que raramente controlamos. Não podemos condicionar a felicidade ao tamanho de uma casa, aos dígitos de um salário, à extensão de fringe benefits, aos destinos de férias, às marcas que usamos... Todas estas coisas podem trazer bem-estar e é claro que o bem-estar nos faz felizes, mas estes factores materiais, que tão facilmente se evaporam ou deteoram, não podem ser os KPI's que determinam a forma como encaramos a vida ou como nos sentimos na nossa pele. 
A vida não se resume a coisas mas sim a momentos pelo que, segundo a regra n.º 4 é fundamental definir marcos geodésicos para a nossa existência, os acontecimentos que vão marcar definitivamente o nosso percurso e influenciar de forma determinante a pessoa que somos e a distância que alcançamos. Se para cada marco tivermos um projecto, sendo certo que podemos abraçar vários projectos em simultaneo, a vitória está em cumprir cada etapa, aceitando com humildade que o destino não se desenrola em progressão geométrica. Desta forma seremos imensamente felizes em determinados momentos e, se formos inteligentes, teremos a capacidade para prolongar esse estado pela lembrança do que sentimos quando fechamos mais um capítulo da nossa história.


sábado, 15 de março de 2014

TEDxOPorto - Don't be stupid!

These posts about TEDxOPorto will be written in English 
so I can share with the world the ideas worth spreading.


The image I chose to illustrate this post is an example of an odd phenomenon that spread like virus amongst Facebook users: the “quotephobia”.
Almost everyone posts quotes on Facebook! 
Some are light and humorous, others intend to be deep and thoughtful, others are clear directed messages or menaces to someone.
I am a victim of this phobia. 
I also post inspiring messages and reflective quotes with some expectation that the criteria I use to chose these notes will disclose features of my intelligence and intellectuality to an anonymous audience.

This is bullshit!

José Soares, one of the brightest speakers that attended TEDxOPorto, demonstrated how 
this "positive thinking mania", this exhilaration made out of pictures and axioms, levels us all as basic human beings capable of absorbing simple clichés and sound bytes.
Social media has made it possible for us to have access to limitless information. This is of course extraordinary as it stimulates our knowledge. However you cannot absorb nor comprehend all the information you read. On one hand because you don’t have enough time, on the other hand because you do not have the elementary background that ables you to understand some contents.
As a consequence we tend to become generalist posters of a random variety of subjects we are not proficient about, believing that the simple comprehension of a catchphrase is enough to apprehend the entire encyclopedia.
This exaggerated belief in ourselves, in our knowledge, in our capacity to do things and achieve results is creating a generation of pretentious leaders. We trust the attraction law and the power of positive thinking so we are certain that anything is possible and that there are no limits for our capacities.
As José Soares brightly puts this mindset: soft skills are becoming soft killers.
Soft skills don’t make you an expert in anything. 
Soft skills do not guarantee you´ll become grand and great. 
The fact is that a leader comes out of knowledge, luck and courage. There are countless limitations to our ability to grow professionally: some are a consequence of the lack opportunities or wrong timing, others are a consequence of each person's biological limitations. 
We are not all bright and brilliant!
Intelligence is not a sine qua non condition to evolve socially and professionally but neither will positive thinking lead you through life if you don't work hard.
"Things don't just happen: you make them happen!" (this could be a post)
You can't always be a bright idiot but please don't be stupid!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A vida é uma corrida

Confesso que faço parte desta nova onda de atletas que descobriram na corrida um nirvana.
O meu pai começou a fazer meias-maratonas aos quarenta por isso tenho na família alguém a quem seguir o exemplo, uma espécie de mentor, líder pelo exemplo e fonte de esperança.
Daquilo vou lendo sobre corrida e motivação - e há tanto para ler sobre isto! - concluo que para lá das vantagens objectivas que todos os convertidos propagam com entusiasmo, existem outras tantas subjectivas que nos asseguram a endurance necessária para vivermos o nosso destino como quem percorre uma estrada.
Quando corro falo comigo/ falo com Deus.
Tenho uma concepção muito própria da religião, comum a muitos dos não praticantes que conheço.
Não entendo a relação com a fé como uma conversa feita de ladainhas e de rituais aborrecidos.
Como quero acreditar que a nossa existência tem um sentido mesmo quando os eventos não se encaixam, recorro à crença numa força superior que nos move, que alinha as nossas rotas, que assegura que nada acontece por acaso, que tudo tem um sentido, ou seja, que o universo conspira a nosso favor mesmo quando duvidamos.
Assim que inicio o treino desligo-me do mundo. Às vezes falo comigo própria, quase sempre para me insultar por ter comido um bolo ou uma feijoada, por me ter deixado dormir no dia anterior ou por não resistir a mais 1 quilómetro. Creio que nalguns momentos estas conversas são interceptadas por esse Deus que por aí anda já que divago para temas mais profundos como a perseverança, o propósito, a resiliência, a capacidade de superação como evidência de uma força que nem sempre me reconheço e de uma energia que nem sempre canalizo em proveito próprio.
Quando corro visualizo.
Suponho que há homens que se imaginam como deuses gregos ou atletas olímpicos medalhados. Não tenho bem a certeza como se imaginam as mulheres... Eu, e sei que o que vou escrever de seguida é mesmo parvo, tento visualizar a gordura a derreter-se no rabo e nas ancas. Quero fazer uma meia-maratona porque sim, por uma questão de ego, mas o que me move a levantar às seis para fazer uma corrida de 10 quilómetros é a possibilidade de queimar todas as calorias ingeridas em delírio gastronómico, livrando a consciência do peso deste pecado que é a gula, por petiscos, pão e chocolate.
Segundo a lei da atracção devemos recorrer a esta técnica de visualização para tudo o que queremos na vida. É claro que a imaginação não é recurso suficiente. É preciso fazer acontecer, meter os pés à estrada.
A corrida permite treinar essa técnica: fixamos uma meta que definimos cada vez mais longa e ousada, estabelecemos um plano de treinos que nos permita alcançá-la, subdividimos o objectivo final em etapas e regozijamo-nos sempre que acrescentamos mil metros ao score.
Por cada meta superada provamos as nós próprios que somos capazes de chegar onde nos propomos.
Assim sejamos capazes de encarar cada dia, como apenas mais um segmento de metros que temos de percorrer para chegar mais longe e mais alto.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

De Murphy a Pessoa

Esta foi uma daquelas semanas à Lei de Murphy!
Não que eu seja supersticiosa, sequer pessimista ou com espírito de Calimero. Mas a verdade é que nestes últimos dias tudo o que podia correr mal correu pessimamente: desde o pão a cair ao chão com o lado da manteiga para baixo, ao computador a crashar na fase final de uma complexa análise de dados, culminando em problemas com o carro, com um curto-circuito provocado pelo forno e com uma fuga de água irreparável na "bicha" do chuveiro.
Presumo que estas fases de azar sejam cíclicas como o são a moda e a economia.
Num dado momento que não se explica e que nem sempre é detectável entra um grãozinho de areia na engrenagem e, de repente, tudo se começa a desmoronar numa sucessão interminável de agoiros e de azares.
Para quem acredita nessas coisas da lei da atracção, a Lei de Murphy funciona como pólo para tudo o que é negativo. Não é só uma coisa ou outra a correr mal. Para aqueles que são obcecados com planeamento e gestão de risco, o que acontece quando a Lei de Murphy nos apanha é que se antecipamos que há quatro factores cuja ocorrência nos pode afectar o que a vida nos devolve é a conjugação destes acrescidos de um quinto acontecimento que nem sequer tínhamos previsto.
Quando a vida começa a correr mal é difícil encontrar o antídoto para o enguiço.
A solução pode ser um fim-de-semana de sono, uma noite de farra, um par de horas no ginásio ou simplesmente adoptar como táctica o optimismo moderado de forma a reagir com naturalidade aos maus momentos.
O Sr. Murphy era um major na US Air Force, não um personagem ficcionado, que viveu na década de 40, tendo como missão o teste de modelos experimentais no âmbito da engenharia militar. Já se sabe que para quem faz experiências o "método da tentativa e erro" faz parte do dia-a-dia mas este major fez do jogo das probabilidades uma espécie de sina metodológica.
Apesar de imaginar que o Murphy que deu nome à Lei não fosse propriamente a pessoa mais interessante para convidar para um jantar, admito que o sermos capazes de antecipar ameaças ou desgraças nos permite reagir de forma pragmática aos reveses que nos fustigam.
Na prática, a evolução das espécies ainda não retirou da nossa genética uma certa forma primitiva de reagir ao inesperado: o coração dispara, a respiração altera-se, ficamos quartados na capacidade de raciocinar de forma objectiva e célere. As acções tomadas sob impulso ou instinto nem sempre são lógicas. As consequências podem por isso ser uma catástrofe.
Quando a catástrofe gera catástrofe eis que começa a funcionar a Lei de Murphy.
Se nos treinarmos para o imprevisto, isto é, se construirmos os cenários mentais que ficam para lá do plano B, o nosso cérebro prepara-se emocionalmente para responder com método a cada um dos acidentes e cataclismos.
É claro que a antevisão sistemática da desgraça pode converter-nos no maior dos pessimistas, completamente avesso ao risco, logo incapaz de sair do sítio. A inteligência emocional está em ser capaz de equilibrar alguma prudência pragmática com a vontade de empreender, acreditando que os nossos projectos são viáveis e possíveis, ainda que para atingir o resultado esperado o caminho seja sinuoso e repleto de percalços não uma estrada asfaltada em progressão geométrica.
Para chegarmos longe termos de sonhar alto, mas se não anteciparmos que a nossa existência decorre num mundo real e não num plano idealizado, morremos antes de chegar à praia. Como dizia Pessoa, necessitamos das pedras do caminho para construirmos o nosso castelo.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Os 4 P's da felicidade

Todas as pessoas que estudaram marketing ouviram falar dos 4 P's.
Como os americanos adoram converter o universo em siglas e cifras, em fórmulas fáceis de perceber e de assimilar, eis que um rapaz que escreve para a Wired e que tem um site cuja visita recomendo (Barking up the wrong treesintetizou os milhares de estudos sobre felicidade que se fazem pelo mundo em 4 P's.
Na prática, os p's acabam por não ser apenas 4 e a sua base de trabalho foi um livro que fala em 100 segredos das pessoas felizes (podem comprar o livro na AMAZON).
Mesmo assim, como também sou fã destas receitas e mezinhas, eis os 4 P's que resumem o nosso bem-estar:
(nota: este post não é uma tradução do texto original mas sim uma interpretação criativa do mesmo)

Purpose -> PROPÓSITO
O nosso propósito será um desígnio maior do que apenas crescer, estudar, trabalhar, casar, constituir família e dívidas, pagar hipotecas e descansar em paz.
O que dizem os estudos é que mesmo que não sejamos fervorosos adeptos de Deus ou de um Pai de Santo devemos procurar uma forma de encher de significado os nossos dias, perseguindo um objectivo que fique para lá da nossa realização, uma estrada mais larga do que o caminho que fazemos caminhando.
Há pessoas, como o Cristiano Ronaldo, que nasceram predestinadas a grandes feitos e a vitórias gloriosas. Presumo que o puto nem sempre tenha tido a noção desse propósito, mas em momentos como o do decisivo jogo de Portugal na fase de apuramento o CR7 revelou que tem a noção de que o "eu estou aqui!" com que apaziguou a ansiedade nacional teve o impacto de um milagre, uma benção para uma fé capaz de competir em intensidade com a de uma concentração em Fátima num 13 de Maio soalheiro (com todo o respeito de católica não praticante que este local me inspira).

Perspective -> PERSPECTIVA
O melhor exemplo de perspectiva é a história do copo meio-cheio ou meio-vazio, a forma como um optimista ou um pessimista percebem a mesma realidade.
Voltando mais uma vez ao exemplo do futebol - não porque goste mas porque hoje é inevitável escapar ao tema -, existia uma maioria mais ou menos silenciosa que pouco acreditava no apuramento da selecção nacional, e que até aguardava com alguma impaciência pela derradeira derrota para se dedicar com entusiasmo ao desporto com mais adeptos em Portugal: a crítica destrutiva.
É possível uma pessoa sentir-se feliz com pouquíssimos bens materiais numa humilde casinha numa ilha sem praia. Mas havendo a possibilidade de subir de patamar, de comprar umas roupas de marca sem ser aos ciganos, de ampliar a casa sem recorrer a marquises, poucos resistirão à tentação de esbanjar como se não houvesse amanhã. Que o digam o humilde Cristiano Ronaldo e todo o clã Aveiro!
O conceito de dinheiro como fortuna tem uma elasticidade enorme. De igual modo o conceito de felicidade não tem peso nem medida.
O mais correcto é associar-se a felicidade à gestão de expectativas, sendo certo que quanto mais ambiciosos são os nossos sonhos mais defraudados nos sentimos com o que a realidade nos devolve. Aqui não falo de sonhar com euros e receber em dólares mas sim de querer ganhar o jackpot a jogar ao monopólio.

People -> PESSOAS
De acordo com um estudo, obtemos 70% da nossa felicidade a partir das nossas relações com os outros.
A família e a profundidade dos laços que nos unem aos do nosso sangue, os amigos, em quantidade e na qualidade dos sentimentos que por eles nutrimos, todas as formas de contacto e de afecto que desenvolvemos em sociedade são fundamentais para nos encher o coração e consolar nos maus momentos.
Nesse aspecto os social media, independentemente de nos poderem afastar de "pessoas reais" e de promoverem um comportamento narcisista, fomentam e fortalecem as relações entre seres humanos, aproximando pessoas com gostos similares, facilitando a expressão de emoções e a partilha.
Graças ao Facebook reencontrei amigos de infância e desenvolvi laços com colegas de trabalho mais longos do que a ensonada troca de palavras junto à máquina do café alguma vez permitiria. Descobri também que existem pessoas insuportáveis que utilizam as redes sociais como uma espécie de saco de porrada ou como um mundo em desenho animado que atulham com pirosadas kitsch.
Nós que vivemos em ambientes controlados, que com relativa facilidade aceitamos amizades ou as eliminamos com um clique, conseguimos manipular o micro-cosmos que nos envolve garantindo alguma estabilidade na nossa existência. É claro que há pessoas más, que deliberadamente nos prejudicam e ofendem. É evidente que nem sempre as conseguimos escorraçar ou evitar na nossa trajectória, mas se acreditarmos nessa justiça divina que garante a ordem universal, assegurando que cada um recebe em dobro aquilo que oferece, então só teremos de ter o espírito optimista para aguentar o copo meio vazio até que a outra metade encha.

Play -> BRINCADEIRA
Costumo dizer que as pessoas inteligentes têm sentido de humor.
Rio-me muito. Nao é coisa que provoque (creio que fingir o riso é uma impossibilidade) mas algo que me acontece, muitas vezes de forma inusitada, principalmente em circunstâncias em que os nervos ou a cerimónia sugeriam uma pose sóbria.
Fui uma criança feliz e estridente. Sou uma adulta alegre e brincalhona.
Há pessoas que puxam de um cigarro para encher o tempo. Eu uso do humor para que o tempo não conte... e para quebrar o gelo.
É um refúgio tão legítimo como o dos tímidos que se camuflam com uma postura extrovertida (a timidez disfarçada também é uma das minhas características...).
Assumo que tenho alguma dificuldade em entender e em relacionar-me com pessoas cujo semblante é por definição sério, aquelas que demonstram uma dificuldade extrema em fazer o movimento de inflexão dos lábios que nos ilumina o rosto com um sorriso.
Nem sempre conseguimos contar uma anedota no tom que lhe dá a graça ou retribuir com simpatia  os esforços humorísticos de outra pessoa, mas será sempre mais fácil encarar a realidade quando somos um bocadinho palhaços, quando verbalizamos um disparate que desconcerta os outros, quando "soltamos a franga" e descontraímos.
Acresce ainda, que um sorriso é a nossa melhor maquiagem, alegadamente a melhor curva do corpo de uma mulher, se conseguirem não nos olhar para o rabo...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

+++pensamentos positivos+++


Faz parte da mitologia urbana a ideia de que quando pensamos positivo a vida nos corre melhor.
Em boa verdade as pessoas pessimistas são aborrecidas, entediantes, deprimentes. As pessoas optimistas, por outro lado, são joviais, interessantes, divertidas.
Ser pessimista por defeito limita-nos os passos. Ser optimista por definição aumenta as probabilidades de nos estatelarmos no chão.
O ideal é sermos optimistas realistas mas este conceito numa conjuntura como a nossa tem um grau de dificuldade semelhante ao de uma manobra acrobática.
Um estudo publicado por uma investigadora na área da Psicologia da University of North Carolina, Barbara Fredrickson, revelou dados surpreendentes sobre o efeito dos pensamentos negativos sobre o nosso cérebro. A investigadora concluiu que os sentimentos negativos nos "encolhem o cérebro", nos toldam a capacidade de análise, nos submetem e paralisam.
A teoria de Barbara Fredrickson - the broaden-and-built theory - analisa a forma e a função de um conjunto de emoções positivas como a alegria e o amor. A premissa é que estas emoções alargam o repertório pensamento-acção do indivíduo. Como estas emoções nos incitam a pensar, a fazer, a explorar promovem a inovação, a criatividade, a extroversão. Este efeito de "alargar e construir" contribuí para o desenvolvimento dos recursos físicos e intelectuais de cada um.
Como mantemos as good vibes?
O optimistimo exercita-se. Temos de ter em relação aos pensamentos positivos o mesmo tipo de disciplina que temos em relação ao ginásio.
Alegadamente, a meditação ajuda a fomentar esse espírito de positividade. Presumo que seja porque nos relaxa e deixa mais tranquilos, já que o stress e a ansiedade são fonte de negatividade.
Outra das sugestões da investigadora que conduziu o estudo é a escrita. Sem querer estou a enveredar por esta forma de terapia para me manter focada no que é importante, ou pelo menos distraída das coisas que me aborrecem na vida quotidiana. Um outro truque é brincar. Imagino que esta actividade seja mais fácil para os pais de filhos pequenos. Os outros adultos podem dedicar-se a brincadeiras infantis como jogar Candy Blast Saga ou fazer uma luta de almofadas...

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A vida começa aos 40?


Sempre que revejo amigos tenho uma sensação assustadora: a certeza de que estamos a ficar mais velhos, a dúvida de que estaremos a ficar mais sábios.
Começamos a trabalhar na década de noventa, numa altura em que pouco se falava em desemprego, alguns de nós com salários milionários que não se pagam hoje, catapultados para um estrelato de consultores ou gestores em multinacionais num contexto em que o mercado crescia a dois dígitos e os negócios prosperavam.
Hoje somos desempregados, empregados frustrados, emigrantes, empresários por necessidade. Estamos assustados, desmotivados, perdidos. Disseram-nos que a vida começa aos quarenta mas o sentimento dominante é de que estamos acabados.
A expressão "a vida começa aos quarenta" é o título de um livro de auto-ajuda publicado em 1932 pelo psicólogo Walter Pitkin. Contudo, a ideia de que algo de mágico acontece após esse marco não é propriamente de sua autoria. O reconhecido filósofo Arthur Schopenhauer escreveu um dia que os primeiros quarenta anos de vida dão-nos texto, os restantes trinta dão-nos os comentários.
Supostamente os quarenta anos correspondem à nossa meia-idade, ao período da vida em que cremos que realizamos grande parte dos nossos objectivos, estamos emocionalmente estáveis, temos casa, família e uma carreira consolidada. Eventualmente isto foi assim para os nossos pais.
Hoje aos quarenta ainda nos sentimos jovens, provavelmente estamos em melhor forma do que estávamos aos vinte, ou pelo menos exercitámos-nos mais, ainda pensamos em mudar de emprego, de profissão, voltamos a estudar, não perdemos a mania de ciclicamente questionar o status quo, continuamos dispostos a fazer um reset, a derrubar os dados adquiridos, a reciclar o velho e o antigo, a mudar de casa, de cidade ou de país, a soltar amarras e a apaixonar-nos.
Recentemente foi publicado um estudo que concluí que os sessenta são os novos quarenta. Comenta o orientador da pesquisa, o Dr. Oliver Robinson da University of Greenwich, que a tal crise da meia-idade que nos faz questionar a nossa existência é despoletada pela morte dos nossos contemporâneos, o que felizmente acontece cada vez mais tarde.
Até sermos confrontados com a nossa mortalidade somos capazes de fixar objectivos, acreditando sem grandes dúvidas que temos muito caminho para andar.
A crise que nos afecta hoje é essencialmente conjuntural. O facto de termos quarenta é apenas um detalhe.
Vemos os nossos amigos partir, não porque morrem mas porque têm de procurar trabalho lá fora. Se os nossos amigos estão a definhar não é porque o seu esqueleto está velho mas porque a sua vida tal como a programaram entrou em colapso.
Ter quarenta no ano da graça de 2014 é uma prova de endurance.
Estamos numa época em que valemos pela nossa força e resistência, pelo nosso esforço e perseverança, pela energia que emanamos que de alguma forma nos mantém motivados e é exemplo para os demais.
Se temos quarenta e para todos os efeitos não somos uns miúdos temos de nos portar como mulheres e homens, como seres humanos que em circunstâncias extremas revelam capacidades sobrenaturais.
Enquanto tivermos saúde, enquanto não nos sentirmos limitados ou frágeis, continuamos a ser demasiado novos para entrincheirarmos na vala dos acomodados. Provavelmente estamos menos optimistas e crentes mas somos certamente mais competentes e audazes.





sábado, 28 de dezembro de 2013

Resoluções de Ano Novo


É inevitável.
Chegamos a esta altura do ano e somos compelidos a fazer um balanço do ano que termina e um plano para o que se aproxima.
Todos temos objectivos a atingir. Muitos são sonhos disfarçados de projectos. Outros são apenas desejos etéreos, um "nice to have" ou "wish to have" que não ousamos verbalizar por nos parecerem intangíveis e ingénuos.
Seja como for, entraremos em 2014 munidos de uma lista de coisas a fazer. Presumo que este planeamento mental de alguma forma nos confere segurança. Queremos ser melhores pessoas, melhores profissionais, melhores maridos/mulheres, melhores pais, melhores filhos.
Queremos estar mais presentes. Queremos viajar mais. Queremos que o ano seguinte seja melhor do que o que termina e acreditamos que as metas que definimos vão dar mais sentido e conteúdo à nossa existência.
O problema dos objectivos, na vida pessoal como na das empresas, é que caímos na tentação de construir afirmações bonitas que soam bem como estratégia mas não fazemos a menor ideia do que é necessário fazer para atingir tais propósitos.
Na minha humilde perspectiva, tão importante como definir objectivos é definir os processos.
Por exemplo, se eu tenho como objectivo correr uma meia-maratona sei que tenho de treinar a sério. Para já consigo correr 10 quilómetros mas esta distância corresponde apenas a metade da prova. Em 2014 vou ter de conquistar os quilómetros que me faltam. Para tal tenho de estabelecer um plano de treinos no pressuposto de que a melhoria de performance se fará passada a passada, não vai surgir de forma espontânea em jeito de milagre.
Qualquer objectivo não alcançado é uma fonte de frustração imensa. O ser humano tem esta tendência masoquista para fazer depender a sua felicidade da realização de coisas. 
Se nos focarmos apenas no objectivo só ficamos felizes quando cruzamos a meta.
Se definirmos que cada objectivo pressupõe um caminho e que este caminho tem etapas, conseguiremos celebrar pequenas vitórias à medida que avançamos no trajecto. Se no final não chegarmos exactamente ao ponto que queríamos a sensação de frustração não será tão forte.
Para mim, se conseguir fazer treinos regulares de 15 quilómetros em vez de 10 já terei progredido imenso!
Esta técnica de "pensamento positivo", a ladainha da lavagem cerebral em que se baseia "O Segredo",  permite-nos sobreviver sem grandes cicatrizes às nossas fraquezas e erros.
Por muito céptica que seja em relação a estas histórias relacionadas com a "Teoria da Atracção" tenho como facto que aquele que perde demasiado tempo a olhar para as pedras do caminho jamais construirá um castelo...