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sábado, 15 de março de 2014

TEDxOPorto - Don't be stupid!

These posts about TEDxOPorto will be written in English 
so I can share with the world the ideas worth spreading.


The image I chose to illustrate this post is an example of an odd phenomenon that spread like virus amongst Facebook users: the “quotephobia”.
Almost everyone posts quotes on Facebook! 
Some are light and humorous, others intend to be deep and thoughtful, others are clear directed messages or menaces to someone.
I am a victim of this phobia. 
I also post inspiring messages and reflective quotes with some expectation that the criteria I use to chose these notes will disclose features of my intelligence and intellectuality to an anonymous audience.

This is bullshit!

José Soares, one of the brightest speakers that attended TEDxOPorto, demonstrated how 
this "positive thinking mania", this exhilaration made out of pictures and axioms, levels us all as basic human beings capable of absorbing simple clichés and sound bytes.
Social media has made it possible for us to have access to limitless information. This is of course extraordinary as it stimulates our knowledge. However you cannot absorb nor comprehend all the information you read. On one hand because you don’t have enough time, on the other hand because you do not have the elementary background that ables you to understand some contents.
As a consequence we tend to become generalist posters of a random variety of subjects we are not proficient about, believing that the simple comprehension of a catchphrase is enough to apprehend the entire encyclopedia.
This exaggerated belief in ourselves, in our knowledge, in our capacity to do things and achieve results is creating a generation of pretentious leaders. We trust the attraction law and the power of positive thinking so we are certain that anything is possible and that there are no limits for our capacities.
As José Soares brightly puts this mindset: soft skills are becoming soft killers.
Soft skills don’t make you an expert in anything. 
Soft skills do not guarantee you´ll become grand and great. 
The fact is that a leader comes out of knowledge, luck and courage. There are countless limitations to our ability to grow professionally: some are a consequence of the lack opportunities or wrong timing, others are a consequence of each person's biological limitations. 
We are not all bright and brilliant!
Intelligence is not a sine qua non condition to evolve socially and professionally but neither will positive thinking lead you through life if you don't work hard.
"Things don't just happen: you make them happen!" (this could be a post)
You can't always be a bright idiot but please don't be stupid!

quinta-feira, 13 de março de 2014

TEDxOPorto - Cybernetic existence

These posts about TEDxOPorto will be written in English 
so I can share with the world the ideas worth spreading.

I am not an “into science” person.
Ok, I like innovation and evolution, I get amazed and astonished by the discoveries and inventions some visionary and perseverant scientists make after long hours, days and years of investigation but my scale of appreciation of those progresses is directly proportional to my ability to understand them and to envision the impact they’ll have in our day-to-day life. 
Unfortunately scientific talks rarely are understandable to those who don’t have a scientific Phd.
One of the speakers at TEDxOPorto was an investigator called Steve Grand, an expert in artificial life forms that expects to find the meaning of life by creating some kind of robots that someday will have consciousness.
I couldn´t understand the extent and width of his talk but one thing I learned was the meaning of cybernetics.
Whenever a system is involved in a closed signaling loop, that is whenever an action by the system over the environment generates some change and that change is reflected in the system you have cybernetics. Basically cybernetics is a kind of feedback, a “circular causal” relationship triggered by a change that generates another change.
Cybernetics study may be something very interesting but what impressed me the most was that those effects the scientist spoke about are exactly the same the Forex Investor mentioned when talking about paying back to society, acknowledging that a community's problems are far more important than individual problems.
Margarida Pinto Correia also talked about cybernetics when she mentioned the “impact waves” that come from the influence we can have over one person’s life and utterly impact more people's lives in a sort of “domino effect”. The good deed we make today to someone will be conveyed to others in some kind of "ripple effect" that will expand incrementally.
So even if you’re not into science or even if you are too skeptical to believe in the “attraction law” or in “Heaven or Hell” at least there is an exercise you can practice everyday and that will surely make more fit as an human being:
Be honest 
Be bold enough to face yourself in the mirror and not be ashamed by the person you see
Be brave 
Dare to ask yourself what have you done today that is relevant for your existence 
and for the wellbeing of those you care about
Be proud 
of your achievements and share this satisfaction with others 
by helping them to be honest, brave and proud.



quarta-feira, 5 de março de 2014

Os básicos das emoções

Todos acreditamos que a variedade, intensidade e complexidade de emoções que experimentamos como seres humanos é um misterioso buraco negro objecto de estudo de disciplinas elevadas ao estatuto de rocket science.
Segundo os cientistas, na prática, no que toca a emoções somos uns básicos.
Existem quatro categorias de emoções fundamentais: alegria, tristeza, medo/surpresa, raiva/rejeição. Estas emoções básicas misturam-se, combinam-se, sobrepõem-se, estratificam-se no nosso cérebro criando a tal mixórdia de sentimentos que vamos convertendo num novelo de nós e laços até atingirmos a idade da psicanálise.
Como se diz por aí,
a vida não é complicada, nós é que a complicamos...
Desdobramos pois as nossas emoções num intrincado manancial de estados, sendo certo que nem sempre conseguimos perceber o que sentimos até porque podemos experimentar sensações antagónicas e paradoxais.

ALEGRIA
A emoção mais presente no nosso código genético é a alegria. Exceptuando-se casos sociais extremos todos os bebés se sentem amados, logo felizes. Em pouco tempo um recém-nascido apreende a reacção primária do sorriso como forma de retribuir o mimo que a mãe lhe dá.
O coração não é o epicentro das emoções. Expressões como "coração despedaçado" ou "amo-te do coração" são apenas folclore popular.
A parte do cérebro que recebe a designação de neo-cortex está subdividida em quatro grandes secções, designadas por lóbulos, que coordenam funções vitais do nosso sistema: pensamento (l. frontal), movimento (l.parietal), audição e fala (l. temporal) e visão (l. occipital). Durante anos acreditou-se que o processamento de emoções ocorria ao nível do sistema límbico mas sabe-se agora que este interage intensamente com o lóbulo frontal, responsável pelo raciocínio. Isto quer dizer uma coisa muito simples:
a forma como pensamos influencia aquilo que sentimos
aquilo que sentimos influencia a forma como pensamos.
Isto significa que podemos utilizar o nosso pensamento para condicionar a forma como nos sentimos, quer quando, por exemplo, estamos numa corrida e nos incentivamos a contrariar o cansaço para atingir uma determinada meta, mas essencialmente, quando queremos motivar-nos para sermos felizes independentemente das circunstâncias. O Dr. Richard Davidson, um investigador com vários estudos publicados na área da psicologia positiva, o parente científico da Lei da Atracção e do "não há coincidências" da literatura cor-de-rosa, defende que a emoção de felicidade pode ser potenciada pela acção do nosso pensamento.
O quê que isto tem a ver com marketing?
Para começar é fundamental entender as emoções para poder provocar a tal relação íntima com aqueles que consomem determinado produto ou marca. Depois, porque a felicidade é daqueles sentimentos que quanto mais se partilha mais se tem, isto é, as pessoas sentem-se exponencialmente mais felizes quando partilham socialmente o seu estado. Hoje em dia, o marketing faz-se pela partilha nas redes sociais e um consumidor feliz será um prescritor, anunciante, relações públicas excepcional para a marca.

TRISTEZA
Esta emoção é o inverso da alegria mas activa exactamente as mesmas secções do cérebro.
A tristeza faz-nos libertar dois tipos de hormona: o cortisol, conhecida como a "hormona do stress", e a oxitacina, uma hormona que promove a empatia e a conexão com outras pessoas. Por mais perverso que isto possa parecer, se é verdade que a oxitacina nos torna mais solidários e generosos, então as mensagens que conseguem libertar esse tipo de hormona têm maior probabilidade de serem retidas e de produzirem impacto. Não foi à toa que a Budweiser se comunicou este ano no Superbowl com uma campanha viral que fazia chorar as pedras da calçada, em vez de se socorrer das habituais mamas e rabos, confraternizações entre gajos e piadas banais para vender cerveja.

MEDO/SURPRESA
Um estudo da University of British Columbia Sauder School of Business revelou que os consumidores que experimentam uma sensação de medo ao assistir a um filme desenvolvem relações profundas com as marcas que estão presentes nesse momento, seja com a Coca-Cola que compraram no menu das pipocas sejam com as marcas que sub-reptíciamente se inserem no argumento à laia de product placement.
O medo é apaziguado quando partilhado. Ao assistirem a um filme de terror as pessoas dão-se as mãos, escondem o rosto no ombro do outro, agarram-se ao copo de Coca-Cola como a uma tábua de salvação, reparam na marca do relógio do vampiro ou do carro do serial killer como forma de se distraírem do sangue e da violência.
Muito embora a utilização do medo de forma gratuita soe a estratégia perversa, a verdade é que o preconceito dos marketeers em relação à associação a eventos como o Fantasporto pode estar a fazer com que muitas marcas percam excelentes oportunidades para comunicarem com o seu alvo.

RAIVA/REJEIÇÃO
A zona do cérebro responsável pela raiva é a mesma que coordena alguma das nossas necessidades vitais como comer, beber e fazer sexo. Colocado isto nestes termos facilmente se percebe que a raiva interfere de uma maneira visceral na forma como percebemos a realidade.
De uma forma geral os posts que fazemos são positivos e visam receber comentários com smiles, corações e polegares para cima. A maior parte destes posts não são contudo memorizados. Por mais paradoxal que tal possa parecer os posts que mais "mexem" com as nossas emoções são os polémicos, os que nos chocam, aqueles em que alguém faz um comentário desagradável e logo recebe um rol de respostas e de bocas que se prolongam numa acesa discussão até que os intervenientes vão desistindo ou o post da discórdia é eliminado.
O negativismo tem pois um efeito mais prolongado. Uma marca pode beneficiar deste facto se inteligentemente conseguir converter um sentimento negativo num fenómeno viral positivo, por exemplo, fomentando uma discussão entre defensores e opositores à marca, desde que tenha uma estratégia de back up que permita concluir a discussão a seu favor.

Segundo um estudo do IPA - Institute of Practitioners in Advertising
as campanhas com apelo predominante à emoção são duas vezes mais eficazes do que as que apelam exclusivamente à razão
Isto acontece porque a evidência científica já demonstrou que 
primeiro sentimos 
depois pensamos.



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A vida é uma corrida

Confesso que faço parte desta nova onda de atletas que descobriram na corrida um nirvana.
O meu pai começou a fazer meias-maratonas aos quarenta por isso tenho na família alguém a quem seguir o exemplo, uma espécie de mentor, líder pelo exemplo e fonte de esperança.
Daquilo vou lendo sobre corrida e motivação - e há tanto para ler sobre isto! - concluo que para lá das vantagens objectivas que todos os convertidos propagam com entusiasmo, existem outras tantas subjectivas que nos asseguram a endurance necessária para vivermos o nosso destino como quem percorre uma estrada.
Quando corro falo comigo/ falo com Deus.
Tenho uma concepção muito própria da religião, comum a muitos dos não praticantes que conheço.
Não entendo a relação com a fé como uma conversa feita de ladainhas e de rituais aborrecidos.
Como quero acreditar que a nossa existência tem um sentido mesmo quando os eventos não se encaixam, recorro à crença numa força superior que nos move, que alinha as nossas rotas, que assegura que nada acontece por acaso, que tudo tem um sentido, ou seja, que o universo conspira a nosso favor mesmo quando duvidamos.
Assim que inicio o treino desligo-me do mundo. Às vezes falo comigo própria, quase sempre para me insultar por ter comido um bolo ou uma feijoada, por me ter deixado dormir no dia anterior ou por não resistir a mais 1 quilómetro. Creio que nalguns momentos estas conversas são interceptadas por esse Deus que por aí anda já que divago para temas mais profundos como a perseverança, o propósito, a resiliência, a capacidade de superação como evidência de uma força que nem sempre me reconheço e de uma energia que nem sempre canalizo em proveito próprio.
Quando corro visualizo.
Suponho que há homens que se imaginam como deuses gregos ou atletas olímpicos medalhados. Não tenho bem a certeza como se imaginam as mulheres... Eu, e sei que o que vou escrever de seguida é mesmo parvo, tento visualizar a gordura a derreter-se no rabo e nas ancas. Quero fazer uma meia-maratona porque sim, por uma questão de ego, mas o que me move a levantar às seis para fazer uma corrida de 10 quilómetros é a possibilidade de queimar todas as calorias ingeridas em delírio gastronómico, livrando a consciência do peso deste pecado que é a gula, por petiscos, pão e chocolate.
Segundo a lei da atracção devemos recorrer a esta técnica de visualização para tudo o que queremos na vida. É claro que a imaginação não é recurso suficiente. É preciso fazer acontecer, meter os pés à estrada.
A corrida permite treinar essa técnica: fixamos uma meta que definimos cada vez mais longa e ousada, estabelecemos um plano de treinos que nos permita alcançá-la, subdividimos o objectivo final em etapas e regozijamo-nos sempre que acrescentamos mil metros ao score.
Por cada meta superada provamos as nós próprios que somos capazes de chegar onde nos propomos.
Assim sejamos capazes de encarar cada dia, como apenas mais um segmento de metros que temos de percorrer para chegar mais longe e mais alto.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

De Murphy a Pessoa

Esta foi uma daquelas semanas à Lei de Murphy!
Não que eu seja supersticiosa, sequer pessimista ou com espírito de Calimero. Mas a verdade é que nestes últimos dias tudo o que podia correr mal correu pessimamente: desde o pão a cair ao chão com o lado da manteiga para baixo, ao computador a crashar na fase final de uma complexa análise de dados, culminando em problemas com o carro, com um curto-circuito provocado pelo forno e com uma fuga de água irreparável na "bicha" do chuveiro.
Presumo que estas fases de azar sejam cíclicas como o são a moda e a economia.
Num dado momento que não se explica e que nem sempre é detectável entra um grãozinho de areia na engrenagem e, de repente, tudo se começa a desmoronar numa sucessão interminável de agoiros e de azares.
Para quem acredita nessas coisas da lei da atracção, a Lei de Murphy funciona como pólo para tudo o que é negativo. Não é só uma coisa ou outra a correr mal. Para aqueles que são obcecados com planeamento e gestão de risco, o que acontece quando a Lei de Murphy nos apanha é que se antecipamos que há quatro factores cuja ocorrência nos pode afectar o que a vida nos devolve é a conjugação destes acrescidos de um quinto acontecimento que nem sequer tínhamos previsto.
Quando a vida começa a correr mal é difícil encontrar o antídoto para o enguiço.
A solução pode ser um fim-de-semana de sono, uma noite de farra, um par de horas no ginásio ou simplesmente adoptar como táctica o optimismo moderado de forma a reagir com naturalidade aos maus momentos.
O Sr. Murphy era um major na US Air Force, não um personagem ficcionado, que viveu na década de 40, tendo como missão o teste de modelos experimentais no âmbito da engenharia militar. Já se sabe que para quem faz experiências o "método da tentativa e erro" faz parte do dia-a-dia mas este major fez do jogo das probabilidades uma espécie de sina metodológica.
Apesar de imaginar que o Murphy que deu nome à Lei não fosse propriamente a pessoa mais interessante para convidar para um jantar, admito que o sermos capazes de antecipar ameaças ou desgraças nos permite reagir de forma pragmática aos reveses que nos fustigam.
Na prática, a evolução das espécies ainda não retirou da nossa genética uma certa forma primitiva de reagir ao inesperado: o coração dispara, a respiração altera-se, ficamos quartados na capacidade de raciocinar de forma objectiva e célere. As acções tomadas sob impulso ou instinto nem sempre são lógicas. As consequências podem por isso ser uma catástrofe.
Quando a catástrofe gera catástrofe eis que começa a funcionar a Lei de Murphy.
Se nos treinarmos para o imprevisto, isto é, se construirmos os cenários mentais que ficam para lá do plano B, o nosso cérebro prepara-se emocionalmente para responder com método a cada um dos acidentes e cataclismos.
É claro que a antevisão sistemática da desgraça pode converter-nos no maior dos pessimistas, completamente avesso ao risco, logo incapaz de sair do sítio. A inteligência emocional está em ser capaz de equilibrar alguma prudência pragmática com a vontade de empreender, acreditando que os nossos projectos são viáveis e possíveis, ainda que para atingir o resultado esperado o caminho seja sinuoso e repleto de percalços não uma estrada asfaltada em progressão geométrica.
Para chegarmos longe termos de sonhar alto, mas se não anteciparmos que a nossa existência decorre num mundo real e não num plano idealizado, morremos antes de chegar à praia. Como dizia Pessoa, necessitamos das pedras do caminho para construirmos o nosso castelo.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Os 4 P's da felicidade

Todas as pessoas que estudaram marketing ouviram falar dos 4 P's.
Como os americanos adoram converter o universo em siglas e cifras, em fórmulas fáceis de perceber e de assimilar, eis que um rapaz que escreve para a Wired e que tem um site cuja visita recomendo (Barking up the wrong treesintetizou os milhares de estudos sobre felicidade que se fazem pelo mundo em 4 P's.
Na prática, os p's acabam por não ser apenas 4 e a sua base de trabalho foi um livro que fala em 100 segredos das pessoas felizes (podem comprar o livro na AMAZON).
Mesmo assim, como também sou fã destas receitas e mezinhas, eis os 4 P's que resumem o nosso bem-estar:
(nota: este post não é uma tradução do texto original mas sim uma interpretação criativa do mesmo)

Purpose -> PROPÓSITO
O nosso propósito será um desígnio maior do que apenas crescer, estudar, trabalhar, casar, constituir família e dívidas, pagar hipotecas e descansar em paz.
O que dizem os estudos é que mesmo que não sejamos fervorosos adeptos de Deus ou de um Pai de Santo devemos procurar uma forma de encher de significado os nossos dias, perseguindo um objectivo que fique para lá da nossa realização, uma estrada mais larga do que o caminho que fazemos caminhando.
Há pessoas, como o Cristiano Ronaldo, que nasceram predestinadas a grandes feitos e a vitórias gloriosas. Presumo que o puto nem sempre tenha tido a noção desse propósito, mas em momentos como o do decisivo jogo de Portugal na fase de apuramento o CR7 revelou que tem a noção de que o "eu estou aqui!" com que apaziguou a ansiedade nacional teve o impacto de um milagre, uma benção para uma fé capaz de competir em intensidade com a de uma concentração em Fátima num 13 de Maio soalheiro (com todo o respeito de católica não praticante que este local me inspira).

Perspective -> PERSPECTIVA
O melhor exemplo de perspectiva é a história do copo meio-cheio ou meio-vazio, a forma como um optimista ou um pessimista percebem a mesma realidade.
Voltando mais uma vez ao exemplo do futebol - não porque goste mas porque hoje é inevitável escapar ao tema -, existia uma maioria mais ou menos silenciosa que pouco acreditava no apuramento da selecção nacional, e que até aguardava com alguma impaciência pela derradeira derrota para se dedicar com entusiasmo ao desporto com mais adeptos em Portugal: a crítica destrutiva.
É possível uma pessoa sentir-se feliz com pouquíssimos bens materiais numa humilde casinha numa ilha sem praia. Mas havendo a possibilidade de subir de patamar, de comprar umas roupas de marca sem ser aos ciganos, de ampliar a casa sem recorrer a marquises, poucos resistirão à tentação de esbanjar como se não houvesse amanhã. Que o digam o humilde Cristiano Ronaldo e todo o clã Aveiro!
O conceito de dinheiro como fortuna tem uma elasticidade enorme. De igual modo o conceito de felicidade não tem peso nem medida.
O mais correcto é associar-se a felicidade à gestão de expectativas, sendo certo que quanto mais ambiciosos são os nossos sonhos mais defraudados nos sentimos com o que a realidade nos devolve. Aqui não falo de sonhar com euros e receber em dólares mas sim de querer ganhar o jackpot a jogar ao monopólio.

People -> PESSOAS
De acordo com um estudo, obtemos 70% da nossa felicidade a partir das nossas relações com os outros.
A família e a profundidade dos laços que nos unem aos do nosso sangue, os amigos, em quantidade e na qualidade dos sentimentos que por eles nutrimos, todas as formas de contacto e de afecto que desenvolvemos em sociedade são fundamentais para nos encher o coração e consolar nos maus momentos.
Nesse aspecto os social media, independentemente de nos poderem afastar de "pessoas reais" e de promoverem um comportamento narcisista, fomentam e fortalecem as relações entre seres humanos, aproximando pessoas com gostos similares, facilitando a expressão de emoções e a partilha.
Graças ao Facebook reencontrei amigos de infância e desenvolvi laços com colegas de trabalho mais longos do que a ensonada troca de palavras junto à máquina do café alguma vez permitiria. Descobri também que existem pessoas insuportáveis que utilizam as redes sociais como uma espécie de saco de porrada ou como um mundo em desenho animado que atulham com pirosadas kitsch.
Nós que vivemos em ambientes controlados, que com relativa facilidade aceitamos amizades ou as eliminamos com um clique, conseguimos manipular o micro-cosmos que nos envolve garantindo alguma estabilidade na nossa existência. É claro que há pessoas más, que deliberadamente nos prejudicam e ofendem. É evidente que nem sempre as conseguimos escorraçar ou evitar na nossa trajectória, mas se acreditarmos nessa justiça divina que garante a ordem universal, assegurando que cada um recebe em dobro aquilo que oferece, então só teremos de ter o espírito optimista para aguentar o copo meio vazio até que a outra metade encha.

Play -> BRINCADEIRA
Costumo dizer que as pessoas inteligentes têm sentido de humor.
Rio-me muito. Nao é coisa que provoque (creio que fingir o riso é uma impossibilidade) mas algo que me acontece, muitas vezes de forma inusitada, principalmente em circunstâncias em que os nervos ou a cerimónia sugeriam uma pose sóbria.
Fui uma criança feliz e estridente. Sou uma adulta alegre e brincalhona.
Há pessoas que puxam de um cigarro para encher o tempo. Eu uso do humor para que o tempo não conte... e para quebrar o gelo.
É um refúgio tão legítimo como o dos tímidos que se camuflam com uma postura extrovertida (a timidez disfarçada também é uma das minhas características...).
Assumo que tenho alguma dificuldade em entender e em relacionar-me com pessoas cujo semblante é por definição sério, aquelas que demonstram uma dificuldade extrema em fazer o movimento de inflexão dos lábios que nos ilumina o rosto com um sorriso.
Nem sempre conseguimos contar uma anedota no tom que lhe dá a graça ou retribuir com simpatia  os esforços humorísticos de outra pessoa, mas será sempre mais fácil encarar a realidade quando somos um bocadinho palhaços, quando verbalizamos um disparate que desconcerta os outros, quando "soltamos a franga" e descontraímos.
Acresce ainda, que um sorriso é a nossa melhor maquiagem, alegadamente a melhor curva do corpo de uma mulher, se conseguirem não nos olhar para o rabo...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

+++pensamentos positivos+++


Faz parte da mitologia urbana a ideia de que quando pensamos positivo a vida nos corre melhor.
Em boa verdade as pessoas pessimistas são aborrecidas, entediantes, deprimentes. As pessoas optimistas, por outro lado, são joviais, interessantes, divertidas.
Ser pessimista por defeito limita-nos os passos. Ser optimista por definição aumenta as probabilidades de nos estatelarmos no chão.
O ideal é sermos optimistas realistas mas este conceito numa conjuntura como a nossa tem um grau de dificuldade semelhante ao de uma manobra acrobática.
Um estudo publicado por uma investigadora na área da Psicologia da University of North Carolina, Barbara Fredrickson, revelou dados surpreendentes sobre o efeito dos pensamentos negativos sobre o nosso cérebro. A investigadora concluiu que os sentimentos negativos nos "encolhem o cérebro", nos toldam a capacidade de análise, nos submetem e paralisam.
A teoria de Barbara Fredrickson - the broaden-and-built theory - analisa a forma e a função de um conjunto de emoções positivas como a alegria e o amor. A premissa é que estas emoções alargam o repertório pensamento-acção do indivíduo. Como estas emoções nos incitam a pensar, a fazer, a explorar promovem a inovação, a criatividade, a extroversão. Este efeito de "alargar e construir" contribuí para o desenvolvimento dos recursos físicos e intelectuais de cada um.
Como mantemos as good vibes?
O optimistimo exercita-se. Temos de ter em relação aos pensamentos positivos o mesmo tipo de disciplina que temos em relação ao ginásio.
Alegadamente, a meditação ajuda a fomentar esse espírito de positividade. Presumo que seja porque nos relaxa e deixa mais tranquilos, já que o stress e a ansiedade são fonte de negatividade.
Outra das sugestões da investigadora que conduziu o estudo é a escrita. Sem querer estou a enveredar por esta forma de terapia para me manter focada no que é importante, ou pelo menos distraída das coisas que me aborrecem na vida quotidiana. Um outro truque é brincar. Imagino que esta actividade seja mais fácil para os pais de filhos pequenos. Os outros adultos podem dedicar-se a brincadeiras infantis como jogar Candy Blast Saga ou fazer uma luta de almofadas...

domingo, 29 de dezembro de 2013

Solteiras - Divorciadas - Mal casadas

O nosso estado civil é um rótulo. Identifica-nos, cadastra-nos, remete-nos para um segmento, para uma categoria. Independentemente dos clichés e dos preconceitos a verdade é que o estado civil, a par da existência ou não de filhos, influencia os nossos hábitos, altera as nossas prioridades, define modos de vida.
Para os homens chegar a solteiro numa idade como a minha - QUARENTA! - pode ser sinal de homossexualidade. Noutros tempos, homens sozinhos eram vistos como garanhões mas assim se mudam os tempos...
Para as mulheres chegar a solteira nesta faixa etária é indicador de mau feitio, presunção de amores mal resolvidos que se manifesta nalgum azedume frustrado. Claro está que muitas mulheres se mantêm solteiras por convicção, por opção própria. Contudo, para quase todas as que conheço, houve uma qualquer etapa no seu percurso em que conhecerem o suposto príncipe encantado, equacionaram a hipótese de ter filhos, sonharam com o vestido de noiva, imaginaram-se numa casa com jardim, com cão, com um mono-volume à porta, com crianças lindas à anúncio da Ralph Lauren. 
Eu, como filha única viciada em solidão, convivo muito bem comigo própria. 
Mas, como filha única, quando penso num futuro onde me faltem os meus pais, imagino uma existência sombria em que o silêncio será um castigo mais do que uma benção.
O meu ideal de vida é ter um melhor amigo para sempre, o homem que me provoque arrepios e sorrisos, me envolva com um abraço feito à medida, me apoie e me eleve, caminhe ao meu lado com a sua mão segurando a minha mesmo quando os nossos passeios sejam deambular pelos corredores de um lar.
Para algumas das amigas sem par que conheço encontrei um artigo de uma PhD especialista em Amor e Sexo, Laura Berman, que enuncia as dez principais razões que justificam a sua condição. Aqui fica a síntese para reflexão:
1.  Fazer-se difícil
O conceito de "difícil" é relativo já que a rapidez ou a forma com que uma mulher se envolve com um homem resume-se a uma gestão de tempos e de expectativas.
Na minha perspectiva, ser difícil passa mais por ficar agarrada a hábitos e rotinas sem grande flexibilidade para programas alternativos mesmo os que não envolvem a presença de um homem. É na rua que se conhecem pessoas pelo que permanecer hibernada reduz para zero todas as probabilidades.
2. Ter um tipo
Todos temos um tipo, um género de pessoa, um ideal de beleza e de sex appeal. Trata-se de um filtro humano que condiciona as nossas escolhas em tudo na vida desde a escolha de uma peça de fruta aos complexos mecanismos da atracção. Parece-me lógico que uma mulher não se interesse por homens baixos, gordos, carecas, é justificável que rejeite alguém pela forma como está vestido ou sinta repugnância ao ver pêlos a sair das orelhas ou pressentir odores corporais estranhos. Contudo, continuar à espera de um príncipe atlético, bonito e charmoso avaliado por checklist vai resultar invariavelmente numa elevada taxa de rejeição. 
3. Não pedir ajuda
Quando estamos sem namorado ou marido é natural que as amigas nos queiram emparelhar com alguém. Quanto mais não seja porque a gestão de um jantar ou dos quartos num fim-de-semana se torna mais fácil se todos estiverem aos pares. Depois de algumas tentativas frustradas os outros perdem a esperança. Por seu lado, a amiga sozinha até agradece que cessem as tentativas de acasalamento. O que acontece é que as hipóteses de se conhecer alguém são tão limitadas que é preferível que esta aproximação ocorra num ambiente controlado, entre pessoas que conhecem as partes e estão lá para apoio e incentivo, para o bem e para o mal, em vez de confiar que o destino nos vai fazer tropeçar no homem do resto da nossa vida numa fila de supermercado.
4. Estar agarrada a rotinas
Eu, nos meus momentos de solteira, remeto-me para uma rotina de trabalho-ginásio, com saídas esporádicas com as amigas numa opção deliberada de evitar programas com casais. A experiência própria e alheia já me provou de forma consistente que só conhecemos pessoas quando saímos da nossa zona de conforto.
5. Estar agarrada ao passado
Esta é forte. Muitas mulheres que conheço continuam a carpir as dores da última separação. Estão de luto e ainda em sofrimento mas para o mundo são umas ressabiadas. Todos temos passado e histórias mal resolvidas, no amor e na vida profissional. Sabemos também pela experiência que só avançamos etapas nesta caminhada que é a vida quando encaramos esses episódios como apenas mais um dos workshops de aprendizagem que faz parte da nossa formação.
6. Não dedicar tempo à procura do amor
Por mais pindérica que pareça a afirmação a verdade é que a partir de certo momento as pessoas desistem de encontrar uma cara-metade. Resignam-se ao facto de que ficarão sozinhas até ao fim da vida e declaram que todos os homens que valem a pena estão casados, são maricas ou são uns filhos da mãe. Apesar de ser céptica em relação a estas tretas tenho de voltar a referir a "lei da atracção" que prescreve que temos de desejar muito uma coisa para que ela de facto se torne realidade.
7. Desistir facilmente
A química que se gera entre duas pessoas é um fenómeno estranho e inexplicável. O ideal romântico é conhecermos alguém que nos faz tremer as pernas logo ao primeiro olhar. Quando tal não acontece - até porque convenhamos a idade e a experiência refreiam bastante os ímpetos inconscientes da paixão - não há qualquer razão para não dar tempo ao tempo na expectativa de o "homem simpático" que conhecemos e não fez faísca se revele como candidato com potencial.
8. Não gostar de "encontros" 
Esta entendo bem. É um pouco cansativo conhecermos alguém de novo e de repente termos de lhe fazer um briefing de quem somos, valorizando os nossos pontos fortes, contando o que nos aconteceu de relevante na vida e que explica a pessoa em que nos tornamos sem entrar em detalhes que revelam as nossas fragilidades. Sei de pessoas que têm um guião de "conversa de primeiro encontro", o que é um método interessante mas que se pode tornar aborrecido e repetitivo quando não se tem vocação para representar. Todas temos um ideal de primeiro encontro à filme com um jantar que se prolonga até ao nascer do Sol. Mesmo quando o primeiro encontro ocorre num local ruidoso sem lugares sentados como o mercado de Campo de Ourique, ou num sítio sem charme como a praça de alimentação de um shopping, mais vale arriscar e ser tão espontânea quanto as circunstâncias permitem em vez de ficar por casa a preguiçar no sofá. 
9. Não fazer as perguntas certas 
Isto tem a ver com a conversa que se tem num primeiro encontro. É normal falar de trabalho, de viagens, de restaurantes e dos amigos comuns. Conhecer alguém pressupõe fazer perguntas surpreendentes sem entrar em detalhes sentimentais. Por exemplo: Qual foi o maior desafio que já tiveste na vida? Qual foi o momento em que te sentiste mais realizado? Como imaginas a tua vida daqui a dez anos? 
10. Colocar demasiada pressão sobre si próprias
Há pessoas que estão felizes sozinhas, o que as torna mais exigentes em relação ao parceiro com vantagens competitivas suficientes para entrar no seu espaço. Outras sentem-se miseráveis na condição de solteiras o que as coloca num estado de desespero que assusta qualquer candidato. Para além da pressão pró ou anti-solidão que as mulheres naturalmente se infligem, há ainda a dos pais, irmãos, primos, sobrinhos, amigos e anónimos que inevitavelmente perguntam, criticam ou olham com ar condescendente para as pessoas que se aventuram a sair à rua sem acompanhante.

Na prática, estar solteira ou divorciada há-de ser tão difícil quanto estar mal casada, mas como encontrei este artigo na net decidi partilhar já que o estado civil é um dos atributos que define a nossa marca.





sábado, 28 de dezembro de 2013

Resoluções de Ano Novo


É inevitável.
Chegamos a esta altura do ano e somos compelidos a fazer um balanço do ano que termina e um plano para o que se aproxima.
Todos temos objectivos a atingir. Muitos são sonhos disfarçados de projectos. Outros são apenas desejos etéreos, um "nice to have" ou "wish to have" que não ousamos verbalizar por nos parecerem intangíveis e ingénuos.
Seja como for, entraremos em 2014 munidos de uma lista de coisas a fazer. Presumo que este planeamento mental de alguma forma nos confere segurança. Queremos ser melhores pessoas, melhores profissionais, melhores maridos/mulheres, melhores pais, melhores filhos.
Queremos estar mais presentes. Queremos viajar mais. Queremos que o ano seguinte seja melhor do que o que termina e acreditamos que as metas que definimos vão dar mais sentido e conteúdo à nossa existência.
O problema dos objectivos, na vida pessoal como na das empresas, é que caímos na tentação de construir afirmações bonitas que soam bem como estratégia mas não fazemos a menor ideia do que é necessário fazer para atingir tais propósitos.
Na minha humilde perspectiva, tão importante como definir objectivos é definir os processos.
Por exemplo, se eu tenho como objectivo correr uma meia-maratona sei que tenho de treinar a sério. Para já consigo correr 10 quilómetros mas esta distância corresponde apenas a metade da prova. Em 2014 vou ter de conquistar os quilómetros que me faltam. Para tal tenho de estabelecer um plano de treinos no pressuposto de que a melhoria de performance se fará passada a passada, não vai surgir de forma espontânea em jeito de milagre.
Qualquer objectivo não alcançado é uma fonte de frustração imensa. O ser humano tem esta tendência masoquista para fazer depender a sua felicidade da realização de coisas. 
Se nos focarmos apenas no objectivo só ficamos felizes quando cruzamos a meta.
Se definirmos que cada objectivo pressupõe um caminho e que este caminho tem etapas, conseguiremos celebrar pequenas vitórias à medida que avançamos no trajecto. Se no final não chegarmos exactamente ao ponto que queríamos a sensação de frustração não será tão forte.
Para mim, se conseguir fazer treinos regulares de 15 quilómetros em vez de 10 já terei progredido imenso!
Esta técnica de "pensamento positivo", a ladainha da lavagem cerebral em que se baseia "O Segredo",  permite-nos sobreviver sem grandes cicatrizes às nossas fraquezas e erros.
Por muito céptica que seja em relação a estas histórias relacionadas com a "Teoria da Atracção" tenho como facto que aquele que perde demasiado tempo a olhar para as pedras do caminho jamais construirá um castelo...