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domingo, 5 de outubro de 2014

O que vai mudando no marketing...

"A mudança é uma constante"
Feita esta afirmação que ecoa como soundbyte passo a esclarecer o meu ponto de vista: o marketing, como qualquer outra área, evoluí a uma velocidade mais rápida do que a nossa disponibilidade mental; assim sendo, se não formos um bocadinho nerds, se não investirmos umas quantas horas a googlar, a saltar de página em página, a procurar links novos para adicionar aos "favoritos", ficamos agarrados a uma zona de conforto que com o tempo se transforma numa inóspita ilha deserta.
A escrita neste blogue obriga-me a estudar, a saber, a perceber, faz com que eu queira investigar mais para estar além, quem sabe até um pouco mais à frente.
Do que já se vai comentando sobre as tendências do marketing para 2015 descubro com satisfação que nada me soa como novo ou inovação, o que significa que ser uma curiosa com método me traz alguma vantagem teórica.
A marca como conceito editorial
A tendência do storytelling, que consiste na substituição da publicidade directa e descarada por filmes, slideshows ou notas que contam uma história sobre uma marca ou produto, vai crescer de forma exponencial na medida em que favorece o desenvolvimento da tal relação emocional que todos os marketeers já perceberam como fundamental para despoletar um comportamento de compra.
O desafio que se coloca às marcas é serem capazes de provocar reacções empáticas potencialmente virais. Os conteúdos têm de ter alma, forma e cor, algo que se sobrepõe à mera publicação de textos ou à articulação de narrativas sobre imagens.
As palavras ganham primazia
É claro que uma imagem vale mil palavras mas se cada imagem vai ser explicada, comentada ou descrita convém que aqueles cuja missão é dar consistência ao lado visual de uma marca sejam capazes de se expressar de forma bonita.
Pessoalmente não suporto erros ortográficos, atropelos gramaticais, vocabulários limitados, incapacidade de ordenar palavras de forma coerente com algum senso na utilização de vírgulas, pontos finais e parágrafos.
Profissionalmente, reconheço que a capacidade de síntese e a clareza de expressão são argumentos fundamentais quer para o marketing pessoal quer para o exercício eficaz da função que temos na empresa.
Numa época em que se comunica por tags e por siglas, o domínio da palavra, a capacidade de compor textos com a extensão e com a profundidade adequadas ao público-alvo são sinónimos de competência e sinais de superioridade num contexto em que a competição se faz a cada caractere.
A métrica da amplificação vai ascender ao estatuto de ciência
Sendo a viralidade um pressuposto fundamental para o sucesso de uma campanha, a capacidade para medir a difusão de uma mensagem vai ser vital, mas acima de tudo terão vantagem as empresas que sejam capazes de desenvolver modelos que antecipem o poder de multiplicação dos likes e das partilhas. Presume-se que surgirá um ramo da matemática dedicado ao estudo da correlação entre cliques, auxiliar fundamental para qualquer estratégia de marketing no momento de selecionar as plataformas, formas e formatos para comunicar com os potenciais consumidores.
Back to basics
Depois de o marketing digital ter sido tendência, aumentando de forma exponencial o número de consumidores possíveis, a eficácia de qualquer estratégia vai exigir redobrado esforço de segmentação, identificando os grupos de pessoas que equilibrem as características de homogeneidade, consistência e rentabilidade fundamentais para se justificarem como mercado.
Assim sendo, em paralelo com a sofisticação de meios e sofismas linguísticos, o domínio dos princípios básicos da segmentação e posicionamento será essencial para fazer marketing com sentido.
Uma experiência, diferentes meios
Sabemos que são inúmeros os meios para comunicar, sendo diferentes os formatos e públicos associados a cada plataforma.
A obsessão pelos social media e pelo mundo virtual deve contudo ser moderada, na medida em que os orçamentos de marketing têm limites medidos em numerário, contado cêntimo a cêntimo.
Os meios mais tradicionais ou menos usuais podem revelar-se excelentes veículos transmissores de mensagens. O fundamental é que, independentemente do meio, a marca seja capaz de se comunicar de forma consistente, enfatizando o seu carácter único, inimitável e inconfundível.
As marcas sobrevivem em ecossistemas de informação
Os social media vai deixar gradualmente de ser uma táctica para passarem a ser o ecossistema em que as marcas se desenvolvem.
Quer isto dizer que os social media evoluem do estádio de plataforma para a comunicação e para a venda, para outro estádio em que desempenham um papel de informação e comunicação interactiva com aqueles que se interessam e potencialmente compram.
Mais pessoas, menos celebridades
Os ícones das marcas, os prescritores com maior grau de legitimidade e credibilidade, tendem a ser cidadãos anónimos, pessoas reais que se fotografam e filmam com a marca, que falam sobre um produto, demonstrando aos seus congéneres sociais como é cool, chique ou bestial comprar, possuir ou usar as coisas que o marketing tanto quer que eles comprem.
A mensagem da Joana que lava os caracóis com Pantene ou do Johnny que perde peso a correr com ténis Nike, começa a ser mais forte do que as deixas decoradas por uma actriz com cabeleira voluptuosa, que até duvidamos que seja verdadeira, ou o palavreado monocórdico do atleta com poderes sobrenaturais que depende da forma física para ganhar a vida.

Muito mais está a acontecer neste preciso momento e faço questão de me ir mantendo atenta.
"A mudança é uma constante...
que só apanha distraídos os que se desligam".



domingo, 29 de dezembro de 2013

Solteiras - Divorciadas - Mal casadas

O nosso estado civil é um rótulo. Identifica-nos, cadastra-nos, remete-nos para um segmento, para uma categoria. Independentemente dos clichés e dos preconceitos a verdade é que o estado civil, a par da existência ou não de filhos, influencia os nossos hábitos, altera as nossas prioridades, define modos de vida.
Para os homens chegar a solteiro numa idade como a minha - QUARENTA! - pode ser sinal de homossexualidade. Noutros tempos, homens sozinhos eram vistos como garanhões mas assim se mudam os tempos...
Para as mulheres chegar a solteira nesta faixa etária é indicador de mau feitio, presunção de amores mal resolvidos que se manifesta nalgum azedume frustrado. Claro está que muitas mulheres se mantêm solteiras por convicção, por opção própria. Contudo, para quase todas as que conheço, houve uma qualquer etapa no seu percurso em que conhecerem o suposto príncipe encantado, equacionaram a hipótese de ter filhos, sonharam com o vestido de noiva, imaginaram-se numa casa com jardim, com cão, com um mono-volume à porta, com crianças lindas à anúncio da Ralph Lauren. 
Eu, como filha única viciada em solidão, convivo muito bem comigo própria. 
Mas, como filha única, quando penso num futuro onde me faltem os meus pais, imagino uma existência sombria em que o silêncio será um castigo mais do que uma benção.
O meu ideal de vida é ter um melhor amigo para sempre, o homem que me provoque arrepios e sorrisos, me envolva com um abraço feito à medida, me apoie e me eleve, caminhe ao meu lado com a sua mão segurando a minha mesmo quando os nossos passeios sejam deambular pelos corredores de um lar.
Para algumas das amigas sem par que conheço encontrei um artigo de uma PhD especialista em Amor e Sexo, Laura Berman, que enuncia as dez principais razões que justificam a sua condição. Aqui fica a síntese para reflexão:
1.  Fazer-se difícil
O conceito de "difícil" é relativo já que a rapidez ou a forma com que uma mulher se envolve com um homem resume-se a uma gestão de tempos e de expectativas.
Na minha perspectiva, ser difícil passa mais por ficar agarrada a hábitos e rotinas sem grande flexibilidade para programas alternativos mesmo os que não envolvem a presença de um homem. É na rua que se conhecem pessoas pelo que permanecer hibernada reduz para zero todas as probabilidades.
2. Ter um tipo
Todos temos um tipo, um género de pessoa, um ideal de beleza e de sex appeal. Trata-se de um filtro humano que condiciona as nossas escolhas em tudo na vida desde a escolha de uma peça de fruta aos complexos mecanismos da atracção. Parece-me lógico que uma mulher não se interesse por homens baixos, gordos, carecas, é justificável que rejeite alguém pela forma como está vestido ou sinta repugnância ao ver pêlos a sair das orelhas ou pressentir odores corporais estranhos. Contudo, continuar à espera de um príncipe atlético, bonito e charmoso avaliado por checklist vai resultar invariavelmente numa elevada taxa de rejeição. 
3. Não pedir ajuda
Quando estamos sem namorado ou marido é natural que as amigas nos queiram emparelhar com alguém. Quanto mais não seja porque a gestão de um jantar ou dos quartos num fim-de-semana se torna mais fácil se todos estiverem aos pares. Depois de algumas tentativas frustradas os outros perdem a esperança. Por seu lado, a amiga sozinha até agradece que cessem as tentativas de acasalamento. O que acontece é que as hipóteses de se conhecer alguém são tão limitadas que é preferível que esta aproximação ocorra num ambiente controlado, entre pessoas que conhecem as partes e estão lá para apoio e incentivo, para o bem e para o mal, em vez de confiar que o destino nos vai fazer tropeçar no homem do resto da nossa vida numa fila de supermercado.
4. Estar agarrada a rotinas
Eu, nos meus momentos de solteira, remeto-me para uma rotina de trabalho-ginásio, com saídas esporádicas com as amigas numa opção deliberada de evitar programas com casais. A experiência própria e alheia já me provou de forma consistente que só conhecemos pessoas quando saímos da nossa zona de conforto.
5. Estar agarrada ao passado
Esta é forte. Muitas mulheres que conheço continuam a carpir as dores da última separação. Estão de luto e ainda em sofrimento mas para o mundo são umas ressabiadas. Todos temos passado e histórias mal resolvidas, no amor e na vida profissional. Sabemos também pela experiência que só avançamos etapas nesta caminhada que é a vida quando encaramos esses episódios como apenas mais um dos workshops de aprendizagem que faz parte da nossa formação.
6. Não dedicar tempo à procura do amor
Por mais pindérica que pareça a afirmação a verdade é que a partir de certo momento as pessoas desistem de encontrar uma cara-metade. Resignam-se ao facto de que ficarão sozinhas até ao fim da vida e declaram que todos os homens que valem a pena estão casados, são maricas ou são uns filhos da mãe. Apesar de ser céptica em relação a estas tretas tenho de voltar a referir a "lei da atracção" que prescreve que temos de desejar muito uma coisa para que ela de facto se torne realidade.
7. Desistir facilmente
A química que se gera entre duas pessoas é um fenómeno estranho e inexplicável. O ideal romântico é conhecermos alguém que nos faz tremer as pernas logo ao primeiro olhar. Quando tal não acontece - até porque convenhamos a idade e a experiência refreiam bastante os ímpetos inconscientes da paixão - não há qualquer razão para não dar tempo ao tempo na expectativa de o "homem simpático" que conhecemos e não fez faísca se revele como candidato com potencial.
8. Não gostar de "encontros" 
Esta entendo bem. É um pouco cansativo conhecermos alguém de novo e de repente termos de lhe fazer um briefing de quem somos, valorizando os nossos pontos fortes, contando o que nos aconteceu de relevante na vida e que explica a pessoa em que nos tornamos sem entrar em detalhes que revelam as nossas fragilidades. Sei de pessoas que têm um guião de "conversa de primeiro encontro", o que é um método interessante mas que se pode tornar aborrecido e repetitivo quando não se tem vocação para representar. Todas temos um ideal de primeiro encontro à filme com um jantar que se prolonga até ao nascer do Sol. Mesmo quando o primeiro encontro ocorre num local ruidoso sem lugares sentados como o mercado de Campo de Ourique, ou num sítio sem charme como a praça de alimentação de um shopping, mais vale arriscar e ser tão espontânea quanto as circunstâncias permitem em vez de ficar por casa a preguiçar no sofá. 
9. Não fazer as perguntas certas 
Isto tem a ver com a conversa que se tem num primeiro encontro. É normal falar de trabalho, de viagens, de restaurantes e dos amigos comuns. Conhecer alguém pressupõe fazer perguntas surpreendentes sem entrar em detalhes sentimentais. Por exemplo: Qual foi o maior desafio que já tiveste na vida? Qual foi o momento em que te sentiste mais realizado? Como imaginas a tua vida daqui a dez anos? 
10. Colocar demasiada pressão sobre si próprias
Há pessoas que estão felizes sozinhas, o que as torna mais exigentes em relação ao parceiro com vantagens competitivas suficientes para entrar no seu espaço. Outras sentem-se miseráveis na condição de solteiras o que as coloca num estado de desespero que assusta qualquer candidato. Para além da pressão pró ou anti-solidão que as mulheres naturalmente se infligem, há ainda a dos pais, irmãos, primos, sobrinhos, amigos e anónimos que inevitavelmente perguntam, criticam ou olham com ar condescendente para as pessoas que se aventuram a sair à rua sem acompanhante.

Na prática, estar solteira ou divorciada há-de ser tão difícil quanto estar mal casada, mas como encontrei este artigo na net decidi partilhar já que o estado civil é um dos atributos que define a nossa marca.





sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Sair da zona de conforto

O conceito de zona de conforto é um dos soundbytes da nossa vida adulta.
Segundo a Wikipedia a zona de conforto é constituída por uma "série de acções, pensamentos e/ou pensamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco."
Por definição, aqueles que se confinam à sua zona de conforto, ao perímetro de segurança cujos limites são tangíveis e concretos, têm um desempenho constante e certo. Esta estabilidade poderá ser uma vantagem se a performance for excelente, mas será certamente um obstáculo à evolução pessoal já que qualquer passo em frente pressupõe avançar para lá desse perímetro em que nos julgamos bons ou competentes.
Todos conhecemos pessoas cuja zona de conforto é uma área curta de fronteiras estanques e pessoas que arriscam com peso, conta e medida, a passos curtos e hesitantes. Apenas uma minoria se lança de cabeça no abismo, viciados na adrenalina ou movidos por uma ambição sem freio. Diz-se que a sorte protege os audazes mas muitos dos que arriscam acabam eventualmente por esbarrar no mito que descreve o "princípio de Peter", estatelando-se sem glória no limite da sua incompetência.
Recentemente, a Black Management Association da Kellogg School of Management promoveu a sua tradicional conferência anual. Um dos painéis foi inteiramente dedicado a esta temática da gestão do "eu" como marca.
Um dos oradores, George Casey, um general retirado do U.S. Army daqueles com muitas estrelas e medalhas, dissertou precisamente sobre a importância de sairmos da nossa zona de conforto se queremos chegar a algum lado.
Apesar de este senhor ser um militar de barba rija, daqueles de quem se esperam ordens de comando e gritos de guerra, as suas recomendações, tal como resumidas num artigo da Bloomberg Business Week de 22 de Novembro de 2013, são bastante simples e pacíficas:

Regra 1: sê tu próprio/a
Este conselho quase parece uma liturgia do Paulo Coelho...
Nós não somos bons em tudo. Como qualquer ser humano temos pontos fortes e pontos fracos. Se formos honestos connosco próprios, realistas em relação às nossas potencialidades sem inseguranças nem preconceitos, seremos mais precisos a identificar as áreas em que temos maior probabilidade de ter sucesso.
Temos uma tendência natural para desenvolver uma personagem em contexto profissional, comportando-nos como a pessoa que gostaríamos de ser e não como aquela que somos realmente. Querer ser algo que não está na nossa natureza, não se enquadra nos nossos skills nem tem registo no nosso ADN vai fazer com que o nosso desempenho tenda para o medíocre, com que a prossecução dos objectivos se revele um desafio mais difícil, com que sejam mais ténues os resultados.

Regra 2: partilha-te
Isto não tem nada a ver com posts no FaceBook ou blogs na Internet.
Partilhar-mo-nos tem a ver com a forma como interagimos em equipa, como lideramos ou permitimos que nos liderem, como ensinamos ou aceitamos que nos ensinem, como somos capazes de nos apoiar nos outros para elevar as nossas competências mas também permitimos aos outros que brilhem em áreas que complementam e completam o nosso esforço.

Regra 3: valoriza-te
Todos somos diferentes. Ainda bem!
Sem querer ofender ninguém creio que há uma apetência natural das mulheres para se desvalorizarem e uma tendência natural dos homens para se fazerem mais fortes do que são realmente. Uma das conquistas que surge com a maturidade é a capacidade para identificarmos as nossas mais-valias, tendo a humildade suficiente para não fazer destas um factor de exibicionismo e inteligência quanto baste para as esgrimirmos como argumento.